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Muitos questionamentos vieram junto à avalanche de notícias sobre os programas de incentivo ao uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) nas escolas brasileiras.

No dia 01/02/2012 uma matéria do site Gizmodo apontou “As histórias de Um Computador por Aluno: adaptação, laptops roubados, sucesso em sala” (http://goo.gl/4Rf6m). Nela um caso de sucesso do programa Um Computador por Aluno (UCA) é destacado em Guarulhos (SP) e outro, controverso, é apontado em um centro de Ensino da Ceilândia (DF). A publicação mostra a importância do planejamento para o uso do laptop educacional em sala de aula.

Um dia depois, o Estadão estampa a matéria “MEC atropela processo e compra tablets – Licitação é aberta antes que resultados da distribuição de laptops fossem conhecidos” (http://goo.gl/uymaH). Foi anunciado que o Ministério iria abrir uma licitação para a compra de 900 mil tablets para o uso nas escolas, uma iniciativa paralela ao programa UCA.

Em um tom mais ameno, a página do MEC anunciava no mesmo dia (02/02) que o “Ministério distribuirá tablets a professores do ensino médio” (http://goo.gl/P8T5P). De forma pouco detalhada a publicação afirma que serão investidos R$150 milhões na compra de 600 mil tablets, contradizendo os números do Estadão. Segundo o Ministro Mercadante, o objetivo seria o de “oferecer instrumentos e formação aos professores e gestores das escolas públicas para o uso intensivo das tecnologias de informação e comunicação (TICs) no processo de ensino e aprendizagem”. Note que a palavra “formação” é o objeto primeiro da fala do Ministro, mas a matéria trouxe poucos detalhes sobre como esse processo será efetivado.

A surpresa maior veio em 04/02/2012, em tom contundente o Estadão divulgou : “Dilma trava programa de laptops de Lula” (http://goo.gl/V7jqU). Seria o fim do UCA? Segundo a matéria, o Ministro Aluízio Mercadante teria afirmado que o programa contaria com o aprofundamento de reflexões. O motivo da problematização sobre o UCA seria a conclusão do relatório encomendado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a qual afirma que “O desenho do projeto subestimou as dificuldades de apropriação da tecnologia pelos professores do ensino fundamental e médio em comunidades relativamente carentes, o que levou a um subaproveitamento do UCA em sala de aula“.

Computadores, laptops ou tablets? Isso pouco importa. A cultura digital se impõe às escolas, que precisam formar cidadãos críticos para uma sociedade mediada pelas tecnologias digitais. As tecnologias não são os objetos da formação, são meios pelo quais os processos educacionais podem ser mais atraentes, efetivos e compatíveis com a contemporaneidade. O planejamento dessas ações de inclusão digital nas escolas precisam contar com detalhes que envolvem não só os equipamentos em si, mas também a logística, manutenção, infraestrutura elétrica e de tráfego de dados (banda larga) etc. Entretanto, o principal foco de todo o planejamento é – sem sombra de dúvida – a formação dos professores. Investir em novos equipamentos não resolverá os problemas que são apontados pelo relatório da SAE, pelo contrário: eles serão diversificados e possivelmente ampliados. É necessário maior clareza nesse quesito e também um aprofundamento da discussão sobre o papel das universidades mediante a educação na/para a cibercultura.

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