Posts com Tag ‘ciberespaço’

Com o tema “Perspectivas de Inovação” a Conferência Internacional de Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação – Challenges 2011 – foi realizada pelo Centro de Competência da Universidade do Minho em Braga/Portugal, nos dias 12 e 13 de maio de 2011. Essa foi a sétima edição da Conferência Internacional, que ao longo de sua história vem promovendo o debate sobre Educação e as TICs. A Challenges consolidou-se, portanto, como uma referência para os pesquisadores que buscam a reflexão e a implementação de abordagens que imbricam a Educação à cibercultura.

Para fazer valer nossa participação – Eu, o professor Fernando Gripp e a educadora física e ex-acadêmica Ana Flávia Baracho (todos com vínculo na UFVJM) – propusemos à Comissão organizadora do Evento um desafio: se a Challenges fomenta o uso das TICs na Educação, por que não aproximar tal discurso do formato de participação dos pesquisadores no Evento? O desafio foi aceito pela Comissão no dia 9/05/2011, quando anunciou oficialmente em seu site o aceite da proposta (http://www.nonio.uminho.pt/challenges2011/?p=1137 ). Foi então que apresentamos no dia 12/05 o trabalho “Os Exergames e a Educação Física Escolar na Cultura Digital”, via Skype.

Challenges 2011 - Prof. Márcio Lima; Prof. Fernando Gripp; Acadêmica Ana Baracho

O trabalho apresentado na Conferência trata da aproximação entre a prática esportiva e a realidade virtual via exergames (jogos eletrônicos que captam e virtualizam os movimentos reais dos usuários). Com o objetivo de discutir as perspectivas da utilização dos videogames na educação física escolar, participaram do estudo 117 alunos de uma escola pública de Diamantina/MG. Durante a pesquisa, os voluntários relataram suas percepções sobre a experiência com o jogo de Basebol, na versão do exergame e a tradicional. Os resultados constataram a imersão dos estudantes na cultura digital e no processo de virtualização que lhe é típico, apontando algumas perspectivas da utilização crítica da virtualidade como forma de ampliação e (re)criação das possibilidades das práticas e vivências corporais. O trabalho final foi aprovado e será publicado integralmente na Revista Brasileira de Ciências do Esporte, que é editada pelo Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE), no ano de 2011.

Agradecemos à Comissão Organizadora da Challenges pela oportunidade de nossa apresentação, especialmente à pesquisadora Elaine Barbosa (Universidade do Minho/Portugal), que não poupou esforços para o sucesso da apresentação e para a inovação na forma de nossa participação. Somos gratos também ao professor António José Osório (Universidade do Minho/Portugal) e a professora Ingrid Dittrich Wiggers (UnB), que junto a outros participantes acompanharam a conferência online e interagiram conosco, proporcionando a oportunidade de uma excelente discussão acadêmica.

Interatividade via Skpye na Challenges 2011

A Challenges 2011 terminou com a promessa de que o formato virtual de participação será incorporado em suas futuras edições. O virtual, embora não substitua o atual, possibilitou a democratização/inovação da nossa participação na Conferência. Entendemos o virtual como uma forma de expansão, que quebra as fronteiras físicas e financeiras, afinal estivemos presentes na Challenges e fomos muito felizes!

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O professor Marco Silva (UERJ/UNESA) atualizou o conceito de interatividade associando-o com a educação na cibercultura. Sua tese de doutoramento foi adaptada e editada no livro “Sala de aula interativa” – uma leitura indispensável aos ciberdocentes.

Nesse vídeo, Marco apresenta sua perspectiva e nos convida à interatividade.

Se a cibercultura instiga-nos à leitura e a escrita com os meios digitais, o ensino-aprendizado nessa cultura inspira-nos o (re)posicionamento como professores e alunos mediante as nova possibilidades interativas do virtual.

Aqui temos um “marco” para a Educação 2.0. Está ao nosso alcance o rompimento com a barreira exclusiva da transmissão, a horizontalização da prática pedagógica e o benefício da virtualidade com as interfaces digitais. Depende de nós! Aceita o desafio?

Por que usar Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação? Essa foi a pergunta que gerou a tag #PorqueTic no Twitter e agregou um debate virtual entre educadores. Abaixo selecionei algumas participações.

@CiberMarcinho Marcinho Lima
#PorqueTic ? Por que as TICs fomentam a leitura do mundo e podem contribuir com uma educação socialmente referenciada! Depende de nós!

@NexPeople – NexPeople
Métodos tradicionais eram funcionais na soc. industrial. E são absolutamente disfuncionais na sociedade em rede.

@NexPeople – NexPeople
A escola não pode continuar brincando de avestruz, enterrando a cabeça no passado, ignorando os desafios de hoje

@SoniaBertocchi – Sonia Bertocchi
Porque a escola não pode viver apartada da cultura da sua época. Estamos em tempos de cultura digital!

@cintiayuri – Cintia Yuri Nishida
Tecnologia já é parte da vida de crianças e adolescentes e com a orientação do professor a educação pode continuar além da escola

@starpy – Estrella López
Porque motivan, acercan el conocimiento, enlazan personas e intereses comunes, favorecen la capacidad crítica, ayudan a compartir

@CiberMarcinho – Marcinho Lima
Se tecnologia é cultura, não é ela que deve estar na escola! É a escola que precisa estar na cultura, incluída e incluindo

@Lilian_Ferreira – Lilian Ferreira
Ora ora, pq as ferramentas colaborativas dão voz aos alunos, oportunidade de produzir ao invés de só escutar

@CiberMarcinho – Marcinho Lima
Incentivar a autoria com as TIC é promover inclusão na cibercultura. É repensar a educação e horizontalizar a prática pedagógica

@SoniaBertocchi – Sonia Bertocchi
Não basta estar conectado, é preciso estar inserido. Inclusão digital é diferente de inserção na #culturadigital! #porqueTIC

@CiberMarcinho – Marcinho Lima
Superar o imediatismo do acesso às TIC é promover a inclusão digital com estimulo à sua integração ao cotidiano do aluno-cidadão. #PorqueTic

@CiberMarcinho – Marcinho Lima
Considerar inclusão digital apenas acesso às TIC é negligenciar o potencial transformador de sua incorporação à prat.pedagógica #PorqueTic

@CiberMarcinho –
Marcinho Lima Os dispositivos digitais precisam ser compreendidos e apropriados como ferramentas de ampliação dos sentidos e da cognição #PorqueTic

@CiberMarcinho – Marcinho Lima
A escola fora da cibercultura é um desserviço à educação transformadora. É o mesmo que exclusão social e traduz um esforço vazio. #PorqueTic

@CiberMarcinho – Marcinho Lima
O “currículo com o digital” assume uma dimensão prática que suscita a adequação da intencionalidade pedagógica à cibercutura #PorqueTic

@SoniaBertocchi – Sonia Bertocchi
Em um 1º momento a escola se preocupou mto com a INCLUSÃO, agora é preciso dar mais atenção à INSERÇÃO na #cibercultura #porqueTIC

@miladatgon – Mila Gonçalves
Para ampliar as competências e habilidades dos alunos e dos educadores #porqueTIC

@claudemirviana – Claudemir Viana
O novo assusta mas sempre chega, e aprendemos muito c/ ele! E as tics podem ajudar a educação nisso, a depender de como as usamos #porqueTIC

@cefopeanapolis – CEFOPE Anápolis
#porqueTIC Pq elas nos conduzem a um caminho sem volta e depende de nós,educadores, fazer q este seja um bom e produtivo caminho

Os atuais acontecimentos no Egito tomam conta do noticiário internacional. O mal estar vai além das perniciosas relações de poder, da violência exacerbada e do regime totalitarista, emergindo a supressão da livre expressão via Internet.

Enquanto estrutura da inteligência coletiva – a expressão da vida na cibercultura – o ciberespaço representa forte ameaça às ditaduras e regimes totalitários, que insistem a se impor sem restrição de forças à liberdade da palavra e à produção da informação. O fato foi confirmado em uma matéria do IDGNow de 29/01/2011, que afirma:

Ontem, após retirar o Twitter e o Facebook do ar, o governo do Egito decidiu interromper definitivamente o acesso à Internet no país. Para isso, foi buscar recursos legais e técnicos. Os recursos legais atingiram diretamente os operadores de telefonia móvel e os provedores de acesso. Todos os operadores móveis no Egito foram instruídos a suspender os serviços em áreas selecionadas. Segundo a legislação, as autoridades egípcias têm o direito de emitir essa ordem. O mesmo aconteceu com os provedores de acesso. O governo Mubarak ordenou que provedores cortassem todas as conexões internacionais para a Internet. Todas as rotas para as redes egípcias foram retiradas, quase que simultaneamente, da tabela global de roteamento da Internet.

A restrição do acesso às tecnologias da liberdade via internet é uma questão que afronta diretamente a cidadania. Abro esse espaço em um blog que se dedica à educação na cibercultura como um alerta e um convite a reflexão. Os processos educacionais são, em sua essência, democráticos e precisam estar atentos ao poder transformador das tecnologias digitais. Mais que uma questão de acompanhar o desenvolvimento tecnológico digital, educar assume o direcionamento de seu uso ético e sempre a favor da cidadania. Afinal, a liberdade é mais bem protegida pela luz do que pela sombra (Pierre Lévy em O futuro da Internet: Em direção a uma ciberdemocracia planetária).

Mahmud Ahmadinedschad - Fonte: http://ishr.org

Raúl Castro - Fonte: http://ishr.org

Hugo Chavez - Fonte: http://ishr.org

Kim Jong - Fonte: http://ishr.org

Veja a matéria completa do IDGNow em http://twixar.com/pRwQA1y

Em tempos onde precisamos rever paradigmas sobre “o fazer” e sobre “pensar o fazer”, um vídeo que nos faz refletir sobre as possibilidades cognitivas suportadas pelo ciberespaço.

[videolog 442047]

[videolog 442132]

A popularização da informática proporcionou o acesso às ferramentas computacionais, possibilitando sua utilização em diferentes tarefas, preponderantemente: a organização, armazenamento, pesquisa, manipulação e disseminação de informações em rede. Essas são as funções essenciais dos sistemas de recuperação da informação (SRI), que com os recursos do ciberespaço foram reconfigurados.

De forma simplificada pode-se dizer que o processo de recuperação da informação consiste em identificar, no conjunto de documentos de um acervo, aqueles que atendem a uma determinada necessidade de um usuário, o que é esquematizado abaixo.

A recuperação da informação em um SRI

A recuperação da informação em um SRI

A reconfiguração dos SRI para uso no ciberespaço tornou possível a ampliação das possibilidades de acesso e interação com um acervo digitalizado. Isso em termos de disponibilidade (tempo e espaço) e manipulação digital do documento (download, destaques, comentários etc). Efetivamente, um pesquisador já não precisa mais deslocar-se fisicamente até as fontes primárias para proceder às suas atividades. Com as ferramentas de recuperação da informação no ciberespaço, ampliaram-se não apenas as capacidades de buscas interativas ao acervo, mas também a comodidade de acessá-lo remotamente – inclusive com o acesso visual aos documentos digitalizados. Além disso, consegue-se a preservação física da fonte primária que, muitas das vezes, podem ser documentos históricos ou raros.

Durante o IV Simpósio Nacional da ABCiber (Associação Brasileira de Pesquisadores em Ciberculturahttp://abciber.org), que ocorreu na UFRJ de 01/11 a 03/11/2010, relatamos um projeto que contempla a criação de um ciberacervo. O trabalho foi apresentado em forma de artigo científico (http://www.marcinholima.com.br/artigos/abciber2010x.pdf ) e de uma apresentação oral, que descreve a experiência do Laboratório de Conservação e Pesquisa Documental (LABDOC) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). O trabalho realizado no Laboratório abrange a conservação preventiva de acervos documentais históricos, sua organização, catalogação e digitalização para posterior pesquisa mediada pelas ferramentas do ciberespaço. O link da apresentação é http://prezi.com/bin/preziloader.swf

O projeto desenvolvido pelo LABDOC/UFSJ é o resultado do trabalho com as fontes de pesquisa ao longo de 15 anos, em cartórios das cidades de São João del-Rei, Oliveira e Conselheiro Lafaiete (todas em Minas Gerais). O produto final – uma ferramenta de recuperação de informações digitalizadas no ciberespaço – agrega um banco de dados contendo processos cíveis e criminais, testamentos, livros de querela e inventários. Por tratar de documentos públicos, a ferramenta de pesquisa – que é de natureza gratuita e baseada em softwares livres – consolida-se com uma forma democrática de acesso à pesquisa sobre a memória histórica da região, podendo constituir-se com um modelo para outros sítios.

Para saber mais
http://www.marcinholima.com.br/artigos/abciber2010x.pdf – Artigo “Reflexos da cibercultura: a democratização do acesso à memória histórica documental ” – Apresentado durante o IV Simpósio Nacional da ABCiber
http://documenta.ufsj.edu.br – Fórum documenta – Ferramenta de acesso ao ciberarquivo relatado

Quando ligamos nossos dispositivos eletrônicos, os quais estabelecem nosso elo com o ciberespaço, talvez não percebemos o hiato temporal que os poucos segundos de carga do sistema operacional representam. Superado tal intervalo de tempo, as janelas, os ícones, hiperlinks e todos os aplicativos ficam ao alcance de um clique, o que nos permite múltiplas possibilidades de interatividade no mundo digital.

Com Steven Johnson, logo na introdução de seu livro “Cultura da Interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar”, aprendemos que as telas digitais são a forma simbólica de nossa era: a cibercultura. Voltando no tempo e pensando em 1946, mais precisamente na forma de interação com o ENIAC (Electrical Numerical Integrator and Computer), notamos o quanto era complexa e distanciada da realidade a interação homem–computador. A manipulação daquele Computador se efetivava via cabeamentos e/ou chaveamentos que forneciam instruções para processamento utilizando a “linguagem de máquina” ou “linguagem binária”. As respostas de processamento eram representadas por lâmpadas que ascendiam ou apagavam em um painel.

Johnson (2001) vem nos mostrar que as atuais interfaces revelam a arte de representar zeros e uns nas telas digitais e nos convida a conhecer as origens do que representou o início de uma nova era para a humanidade. Em 1968 – vinte e dois anos após o ENIAC – Douglas Engelbart introduziu um produto inovador e que minimizava significativamente a complexidade do processo de operação/comunicação com o computador. O “On-Line system” era um ambiente integrado que se valia de ferramentas e conceitos, como: dispositivo apontador para tela (mouse), ligações via hipertexto e “janelas”. Ou seja: o “espaço-informação”.

Um novo curso para história da humanidade ganhara ali o seu contorno. O trabalho de Engelbart inspirou os pesquisadores da Xerox a criarem a interface gráfica, mas a diretoria da empresa norte-americana não apostou na ideia.

A interface da Xerox - "Smalltalk" - Fonte: http://digibarn.com

A interface da Xerox - "Smalltalk" - Fonte: http://digibarn.com

Então, entrou em cena outro personagem símbolo da cultura digital: Steeve Jobs (Apple Computer). O protótipo da interface gráfica da Xerox foi apresentado a Jobs, que reconheceu sua originalidade e se apropriou da ideia, concretizando-a no Macintosh (1984).

A interface do Macintosh em 1984 - Fonte: comicmix.com

Em um cenário muito controverso, mais um protagonista da história dos bits também demarcava seu território: William Henry Gates II, mais conhecido como Bill Gates (Microsoft). Na década de 80, Gates fechou contrato com a também norte-americana IBM, que visava o mercado de computadores pessoais (PCs) – naquela época a Microsoft licenciava o software que tornava os IBM-PCs funcionais: o MS-DOS. Impulsionado pelo avanço da interface do Macintosh, Bill Gates e equipe criaram o Windows, que tinha semelhanças com o sistema da Apple (que havia derivado das pesquisas da Xerox). O fato rendeu uma disputa judicial, na qual a Apple não teve sucesso.

A interface do Windows 3.1 em 1992. Fonte: http://www.theknowledgeplace.com/

Conflitos a parte, o certo é que as telas digitais passaram a organizar nosso mundo. Voltando a Johnson (2001), encontramos a afirmação de que a revolução digital aconteceu pelo fato do computador ter passado a representar-se a si mesmo ao usuário, em uma linguagem que ele compreendia: as interfaces. Ou seja, ao utilizarmos as diferentes possibilidades de interação nas telas digitais, experienciamos uma reconfiguração da forma de lidar com a informação. Dessa forma, o autor associa o poder dos computadores atuais a essa capacidade de auto-representação, sendo que “a interface torna o mundo prolífico dos zeros e uns perceptível para nós” ( JOHNSON, 2001, p.19).

Como na vida real, as janelas do virtual passaram a ser nosso ponto de contato com o mundo digital. Por elas vamos aos bancos, às escolas, às compras, aos museus, localizamos pontos longínquos da Terra, conversamos com nossos afins, conhecemos novas pessoas, desenhamos, projetamos, enfim: assumimos nossa identidade digital. Especificamente para o cenário educacional, é muito importante a análise crítica das ferramentas digitais que estão disponíveis. Isso, para buscarmos explorar suas funcionalidades com vista ao ganho de aprendizagem e também para manter uma tensão crítica que promova seus melhoramentos. Nos próximos posts buscaremos traçar paralelos entre o pensamento de Johnson (2001) e as ferramentas educacionais digitais, apontando suas funcionalidades e precariedades. Até lá.

Para conhecer mais

http://www.stevenberlinjohnson.com/

Diversos tipos de interface: http://toastytech.com/guis/alto3.html (indicação de Fernando Vieira)

Referência bibliográafica

Johnson, Steven. Cultura da Interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed. 2001.