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Por que usar Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação? Essa foi a pergunta que gerou a tag #PorqueTic no Twitter e agregou um debate virtual entre educadores. Abaixo selecionei algumas participações.

@CiberMarcinho Marcinho Lima
#PorqueTic ? Por que as TICs fomentam a leitura do mundo e podem contribuir com uma educação socialmente referenciada! Depende de nós!

@NexPeople – NexPeople
Métodos tradicionais eram funcionais na soc. industrial. E são absolutamente disfuncionais na sociedade em rede.

@NexPeople – NexPeople
A escola não pode continuar brincando de avestruz, enterrando a cabeça no passado, ignorando os desafios de hoje

@SoniaBertocchi – Sonia Bertocchi
Porque a escola não pode viver apartada da cultura da sua época. Estamos em tempos de cultura digital!

@cintiayuri – Cintia Yuri Nishida
Tecnologia já é parte da vida de crianças e adolescentes e com a orientação do professor a educação pode continuar além da escola

@starpy – Estrella López
Porque motivan, acercan el conocimiento, enlazan personas e intereses comunes, favorecen la capacidad crítica, ayudan a compartir

@CiberMarcinho – Marcinho Lima
Se tecnologia é cultura, não é ela que deve estar na escola! É a escola que precisa estar na cultura, incluída e incluindo

@Lilian_Ferreira – Lilian Ferreira
Ora ora, pq as ferramentas colaborativas dão voz aos alunos, oportunidade de produzir ao invés de só escutar

@CiberMarcinho – Marcinho Lima
Incentivar a autoria com as TIC é promover inclusão na cibercultura. É repensar a educação e horizontalizar a prática pedagógica

@SoniaBertocchi – Sonia Bertocchi
Não basta estar conectado, é preciso estar inserido. Inclusão digital é diferente de inserção na #culturadigital! #porqueTIC

@CiberMarcinho – Marcinho Lima
Superar o imediatismo do acesso às TIC é promover a inclusão digital com estimulo à sua integração ao cotidiano do aluno-cidadão. #PorqueTic

@CiberMarcinho – Marcinho Lima
Considerar inclusão digital apenas acesso às TIC é negligenciar o potencial transformador de sua incorporação à prat.pedagógica #PorqueTic

@CiberMarcinho –
Marcinho Lima Os dispositivos digitais precisam ser compreendidos e apropriados como ferramentas de ampliação dos sentidos e da cognição #PorqueTic

@CiberMarcinho – Marcinho Lima
A escola fora da cibercultura é um desserviço à educação transformadora. É o mesmo que exclusão social e traduz um esforço vazio. #PorqueTic

@CiberMarcinho – Marcinho Lima
O “currículo com o digital” assume uma dimensão prática que suscita a adequação da intencionalidade pedagógica à cibercutura #PorqueTic

@SoniaBertocchi – Sonia Bertocchi
Em um 1º momento a escola se preocupou mto com a INCLUSÃO, agora é preciso dar mais atenção à INSERÇÃO na #cibercultura #porqueTIC

@miladatgon – Mila Gonçalves
Para ampliar as competências e habilidades dos alunos e dos educadores #porqueTIC

@claudemirviana – Claudemir Viana
O novo assusta mas sempre chega, e aprendemos muito c/ ele! E as tics podem ajudar a educação nisso, a depender de como as usamos #porqueTIC

@cefopeanapolis – CEFOPE Anápolis
#porqueTIC Pq elas nos conduzem a um caminho sem volta e depende de nós,educadores, fazer q este seja um bom e produtivo caminho

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Durante a abertura da Semana de Ciências Humanas da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) comecei minha exposição promovendo uma rápida enquete. Questionei aos presentes quantos já haviam adormecido assistindo TV. Em seguida perguntei quantos haviam adormecido utilizando a Internet. A primeira questão teve “sim” como unanimidade de resposta. Já em relação ao segundo questionamento, bastaram os dedos de uma das mãos para a quantificação. As perguntas anteriores buscavam colher argumentos para o estabelecimento de relações entre o modelo transmissivo/unidirecional da TV (que além de massivo é cansativo e gera sono no espectador) e o modus operandi da sala de aula (que muitas vezes replica o esquema da TV: transmissão/audiência passiva).

O efeito TV - Fonte: Howard Kingsnorth/Getty - http://www.guardian.co.uk

A consolidação da Internet – enquanto nova mídia – inaugurou um meio comunicacional dinâmico e com particularidades que, até então, eram indisponíveis nas mídias de massa (liberdade de manifestação, produção de conteúdo e sua publicação etc.). Essas características explicam por si só o sucesso da Internet, afinal: “o surfe na Rede é interativo, já na TV é passivo”. Mas como entender esse “surfar”? E o que fundamenta a “interatividade”?

Steven Johnson em sua obra “Cultura da Interface” de 1997 explica o “cibersurfe” e ao fazê-lo, critica adoção indevida do termo “surfar” no contexto da Internet. O autor nos indica que essa metáfora é uma derivação do “surfe de canais da TV”, deixando claro que a comparação é inadequada ao universo da Web. Uma explicação para isso é que o “surfar entre os canais da TV” se daria por tédio do espectador; já na Internet o “cibersurfe” assume uma característica oposta e incompatível com o sentido anteriormente exposto: na Web o ato de acesso a um site se dá quando o internauta está interessado no assunto ali explorado e não por uma falta de opção ou aborrecimento.  Portanto, o autor defende que o “surfe” sob o paradigma da Web é erroneamente acolhido com uma extensão da multiplicidade de canais televisivos. Nesse sentido, combate a ideia, pois acredita que a concepção menospreza as características definidoras de cada meio.

O professor Marco Silva (“Marco Parangolé”) nos fornece explicações acerca do conceito de interatividade, desenvolvido por ele durante seu trabalho de doutoramento e que se transformou no clássico “Sala de Aula Interativa”, de 2006. Para o educador, a interatividade – uma forma revolucionária de comunicação – fundamenta-se em três pilares: Participação-Intervenção: pelo qual o esquema clássico de comunicação sofre uma mutação, sendo que a mensagem (outrora fechada e intocável) fica passível à intervenção; Bidirecionalidade-Hibridação: do pressuposto anterior, os (inter)agentes da troca comunicativa assumem uma postura de co-autoria e co-participação na construção dialógica – rompe-se, portanto, com o esquema clássico que impõe a separação emissor-receptor; Potencialidade-Permutabilidade: cria-se um “mais comunicacional” onde o discurso construído é múltiplo e aberto, ou seja: a liberdade de intervenção na mensagem e a troca colaborativa multidirecional, permitem que emissores/receptores codifiquem e decodifiquem alterando seus atributos na nova lógica de comunicabilidade. Os três pressupostos do conceito de interação de Silva (2006) são interdependentes, complementares e delegam a todos os sujeitos envolvidos o caráter da não passividade ao interagir.

Ao aproximar esses conceitos do contexto educacional, percebemos a (re)estruturação de uma “pedagogia interativa”, que pressupõe o rompimento com a lógica da transmissão (já debatida no post https://cibereducacao.wordpress.com/2010/09/07/ciberpedagogia-supendo-a-logica-da-transmissao/). Com ela fica fortalecido um estilo de ensino-aprendizagem onde imperam a liberdade dialógica, a cooperação, co-criação, a horizontalização entre as relações entre professores e alunos, a reconstrução do conceito de avaliação e, soberanamente, uma nova forma de (re)construção de conhecimentos onde todos os sujeitos envolvidos precisam ser ativos. Vale lembrar que todos esses indicativos encontram respaldo nas funcionalidades das ferramentas da Web 2.0 (blogs, vblogs, wikis, fóruns etc.), os quais podem ser utilizados – com intencionalidade pedagógica – na reconfiguração da prática educativa no contexto da cibercultura, ou como venho denominando: cibereducação. Mais que uma questão do mero uso da tecnologia digital no ambiente educacional, encontramos a possibilidade da inovação pedagógica com significativo ganho de aprendizagem.

Para saber mais:

Johnson, Steven. Cultura da Interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed. 2001.

LIMA, Márcio Roberto de. Leal, Murilo Cruz . Ciberpedagogia: indicativos para o rompimento com a lógica da transmissão. Vertentes (UFSJ), São João del-Rei, n.35, p.24-35, jan-jun/2010.

SILVA, M. Sala de aula interativa. Rio de Janeiro: Quartet, 2000.

Muito mais que um estilo musical o termo “punk” engloba uma diversidade de elementos que se mesclam e revelam um movimento social que surgiu nos Estados Unidos/Inglaterra durante a década de 70. O princípio de autonomia (revelado no do-it-yourself – faça você mesmo) somado a doses de rebeldia, radicalismo, agressividade, pessimismo quanto ao mundo, rejeição à complexidade e não aceitação da cultura vigente, inspiraram a sua instauração. É certo que a cultura punk inspirou um estilo musical de mesmo nome, mas também é expressa na moda, arte, comunicação, comportamento entre outros. Sucintamente, o movimento punk revelou uma cultura marginal e às vezes transgressora, que se consolidou nas ruas com a formação de gangues que viviam seguindo seus costumes e ideologias.

Os Ramones (Johnny Ramone, Tommy Ramone, Joey Ramone, and DeeDee Ramone), New York City (1976) by Roberta Bayley

Mas como isso se relaciona à cibercultura? Contemporânea ao movimento punk desenvolvia-se  nos Estados Unidos a microinformática, que foi o berço da cibercultura. “Mais do que uma questão tecnológica, o que vai marcar a cibercultura não é somente o potencial das novas tecnologias, mas uma atitude que, no meio dos anos 70, influenciada pela contracultura americana, acena[va] contra o poder tecnocrático. O lema da microinformática será: ‘computadores para o povo’ (computers to the people)”. (LEMOS, 2002, p.101)

Percebe-se, portanto, a prerrogativa da democratização ao acesso e à produção de informações com as novas tecnologias, antes somente acessíveis ao poder militar e às grandes corporações. É importante salientar que a microinformática se consolidou com a popularização dos computadores e, posteriormente, com o surgimento e expansão das redes telemáticas que acabaram por formar a internet (décadas de 80 e 90, respectivamente). Nunca é demais lembrar que a cibercultura representa a apropriação das tecnologias digitais e dos recursos do ciberespaço pela sociedade, o que resultou em novas formas de relacionamento, pensamento e ação cotidiana.

É nesse ponto que o lema punk (faça você mesmo) ganha força dentro do cenário da cibercultura, sendo possível a sua releitura como: “faça você mesmo os seus programas, colabore, compartilhe e modifique códigos de forma a quebrar a hegemonia dos softwares proprietários”. O movimento do software livre cresceu significativamente com a expansão do ciberespaço. Nele, consolidaram-se as cibercomunidades que se articulam remotamente na a criação e disponibilização de programas para computadores, sendo esses últimos livres e/ou abertos (alternativos ao software que exige pagamento e/ou que não permitem modificações). São exemplos o sistema operacional Linux, o pacote de aplicativos OpenOffice (BR-Office) e a plataforma virtual de aprendizagem Moodle, entre muitos outros.

Assim, em um microcomputador munido de softwares (gratuitos ou não) e acesso à internet, passou a ser possível a criação de textos, edição de som e vídeo para posterior publicação no ciberespaço. Aqui, mais uma vez, o lema punk se faz presente. Não apenas no sentido do “ato de fazer”, mas também no de ir contra a tradição de sermos simplórios consumidores de informações produzidas por terceiros (mídia de massa).

(Excelente vídeo sugerido por Fernando Vieira após ter o post)

Dentro da perspectiva da autoria e liberdade de expressão, surgiram os Blogs (como esse) onde milhares de internautas publicam suas ideias, diários, pesquisas, fotos, vídeos etc. Segundo Lemos (2005), há a criação de um novo blog cada segundo. Notadamente, a força da “blogosfera” é tamanha, uma vez que a própria mídia de massa passou a se adequar a essa nova forma de relacionamento e produção de informações, sendo muito comuns encontrarmos no ciberespaço os blogs dos programas de rádio e televisão.

Então, fica aqui o convite: “faça você mesmo”. Ouse! Crie! Participe! Colabore! Seja seu próprio editor.

Para ir além e saber mais:

LEGS, M.;MACCAIN, G. Mate-me por favor. Porto Alegre, L&PM, 2004.

LEMOS, A. CiberculturaTecnologia e Vida Social na Cultura Contemporânea. Porto Alegre, Sulina, 2002.

LEMOS, A. Ciber-Cultura-Punk. In, Revista Cult, n. 96, “Dossier PUNK”,  2005.

KOFMAN, V. Coração envenenado: minha vida com os Ramones.  São Paulo: Barracuda, 2002.

Para ir além e fazer você mesmo:

http://www.blogger.com/start?hl=pt-BR

http://wordpress.com

Até o próximo post!