A popularização da informática proporcionou o acesso às ferramentas computacionais, possibilitando sua utilização em diferentes tarefas, preponderantemente: a organização, armazenamento, pesquisa, manipulação e disseminação de informações em rede. Essas são as funções essenciais dos sistemas de recuperação da informação (SRI), que com os recursos do ciberespaço foram reconfigurados.

De forma simplificada pode-se dizer que o processo de recuperação da informação consiste em identificar, no conjunto de documentos de um acervo, aqueles que atendem a uma determinada necessidade de um usuário, o que é esquematizado abaixo.

A recuperação da informação em um SRI

A recuperação da informação em um SRI

A reconfiguração dos SRI para uso no ciberespaço tornou possível a ampliação das possibilidades de acesso e interação com um acervo digitalizado. Isso em termos de disponibilidade (tempo e espaço) e manipulação digital do documento (download, destaques, comentários etc). Efetivamente, um pesquisador já não precisa mais deslocar-se fisicamente até as fontes primárias para proceder às suas atividades. Com as ferramentas de recuperação da informação no ciberespaço, ampliaram-se não apenas as capacidades de buscas interativas ao acervo, mas também a comodidade de acessá-lo remotamente – inclusive com o acesso visual aos documentos digitalizados. Além disso, consegue-se a preservação física da fonte primária que, muitas das vezes, podem ser documentos históricos ou raros.

Durante o IV Simpósio Nacional da ABCiber (Associação Brasileira de Pesquisadores em Ciberculturahttp://abciber.org), que ocorreu na UFRJ de 01/11 a 03/11/2010, relatamos um projeto que contempla a criação de um ciberacervo. O trabalho foi apresentado em forma de artigo científico (http://www.marcinholima.com.br/artigos/abciber2010x.pdf ) e de uma apresentação oral, que descreve a experiência do Laboratório de Conservação e Pesquisa Documental (LABDOC) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). O trabalho realizado no Laboratório abrange a conservação preventiva de acervos documentais históricos, sua organização, catalogação e digitalização para posterior pesquisa mediada pelas ferramentas do ciberespaço. O link da apresentação é http://prezi.com/bin/preziloader.swf

O projeto desenvolvido pelo LABDOC/UFSJ é o resultado do trabalho com as fontes de pesquisa ao longo de 15 anos, em cartórios das cidades de São João del-Rei, Oliveira e Conselheiro Lafaiete (todas em Minas Gerais). O produto final – uma ferramenta de recuperação de informações digitalizadas no ciberespaço – agrega um banco de dados contendo processos cíveis e criminais, testamentos, livros de querela e inventários. Por tratar de documentos públicos, a ferramenta de pesquisa – que é de natureza gratuita e baseada em softwares livres – consolida-se com uma forma democrática de acesso à pesquisa sobre a memória histórica da região, podendo constituir-se com um modelo para outros sítios.

Para saber mais
http://www.marcinholima.com.br/artigos/abciber2010x.pdf – Artigo “Reflexos da cibercultura: a democratização do acesso à memória histórica documental ” – Apresentado durante o IV Simpósio Nacional da ABCiber
http://documenta.ufsj.edu.br – Fórum documenta – Ferramenta de acesso ao ciberarquivo relatado
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comentários
  1. Fernando disse:

    Marcinho,
    Informação certa, na hora certa, não tem preço.
    Quantos problemas são solucionáveis partindo-se desta simples frase?
    Imagina:
    – uma alteração em um paciente, informada precisamente ao médico
    – a previsão da colisão de dois carros baseado em rota, velocidade e posicionamento
    – o acesso, pela Secretaria de trânsito, aos dados de todos os acidentes ocorridos na cidade, para, reforçar esforços onde exista a necessidade
    Contribuir para que as informações precisas estejam alcançáveis às mentes corretas é algo primoroso. Parabéns.

  2. Marcinho Lima disse:

    Isso aí Fernando, seguimos pela democratização e universalização do acesso às informações!

    • Fernando disse:

      Qual o sentido da Ciência da Informação, senão este?

      • Marcinho Lima disse:

        Pois então Fernando, acabei de fazer uma leitura muito interessante. Mais uma vez Steven Johnson (ainda em 1997) aponta para uma nova realidade da recuperação da informação (e na inevitável reconfiguração da própria ciência da informação!): O capítulo 5 – TEXTO – de “Cultura da Interface” nos indica caminhos que as novas interfaces (inclusive na WEB) poderão seguir… Ao invés da organização por espaço (pastas nomeadas por usuário), a organização semântica baseada em algoritmos. Evolução ou retrocesso das interfaces gráficas? Vamos ter de pagar para ver. Recomendo a leitura!

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